Tampas de bueiros – CWB

A metrópole é um ambiente no qual muitas vezes não enxergamos a beleza do comum. Mas, durante alguns raros instantes, num exercício de percepção, a luz modifica o ordinário em alguma outra coisa menos domesticada e mais provocadora. Tudo isso está lá, basta ver.  André Rodrigues – projeto Iluminados


A fotografia incorporada nos celulares realmente ganhou espaço e se estabeleceu. Todo mundo utiliza o celular para produzir algum tipo de foto. E claro que nós, fotógrafos, não iríamos deixar de explorar essa ferramenta. Tão solidificada que hoje você não busca um telefone, mas uma câmera que você possa falar ou mandar mensagens. Basta dar uma espiada no discurso das propagandas e marcas.

E já que a coisa evoluiu a esse pé, digo que ultimamente venho explorando muito essa possibilidade da fotografia do celular ou mobilephotography. Não é assim de forma tão despretensiosa – por que até duvido que algum fotógrafo consiga isso – porém, vale registrar quase tudo. Além disso, o celular funciona bem em qualquer ocasião pela sua praticidade.

Fotografia de celular combina bem com explorar a cidade. As ruas são ricas em material visual. Praticamente tudo pode virar um conjunto ou série fotográfica. Há quem olhe para a arquitetura, para a gastronomia, pras pessoas, para os prédios, para as formas, texturas, perspectiva. Um pouco de conhecimento de fotografia, com certa dose de criatividade e você tem um ensaio.

Bueiros
Eu fotografo muita coisa com o celular. Já utilizei pra produzir material extra nas pautas, da fazer making of. Explorei a luz como no projeto Iluminados ou mesmo as minhas “Brasilidades”. Desta vez, olhei para o chão e fui numa coisa que geralmente não se espera muito. São elas, as tampas de bueiros.

As tampas de bueiro saíram do anonimato quando um coletivo de artistas alemães estampou camisetas a partir do relevo das tampas. A coisa se espalhou e tem gente fazendo isso em vários lugares. No Brasil, um grupo, segundo artigo na revista Trip, até batizou a arte de estampar camisetas com as tampas do esgoto, com o nome de “bueirogravura”.

Das tampas eu gostei porque elas têm alguns detalhes que chama atenção. Entre eles um pouco de história da cidade. Tem tampa que está ali desde a década de 1930, quando ainda se escrevia “esgôto” e “Curityba”.

O celular acabou com a fotografia?
No último episódio do podcast, que estamos tocando pelo Café & Fotografia, o Henry Milléo traz uma breve abordagem sobre essa questão – pegando de gancho um comentário do Wim Wenders, no qual ele disse que os smartphones estão matando a fotografia – não vou contar, escute aí.

https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/485931339&color=%23ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&show_teaser=true&visual=true

Acredito que a mobile photography é uma nova forma, uma nova etapa da fotografia que se abre. E você pode aproveitar da forma que quiser. Isto é, de forma mais despretensiosa ou mais elabora. Fica ao seu critério, criatividade e objetivo.

O cineasta Wim Wender recentemente fez uma exposição reaproveitando seus recortes feitos com uma Polaroid. Bem, posso dizer, ou até ele mesmo afirmou isso, se não estou enganado, que o celular assume esse mesmo víeis. De ter uma fotografia vernácular e sem o empreendimento do aparato – ou pelo menos sua simplificação.

Outra, a possibilidade da foto e tabém do vídeo com qualidade colaborou em muito com a criação de conteúdo no Jornalismo. É possível criar uma história, captar vídeo, áudio e editar tudo isso no smartphone. E logo em seguida publicar, distribuir e compartilhar o conteúdo. Também ajudou na discrição, visto que muitas vezes em reportagens investigativas ou que precise de descrição, é possível captar com o celular sem chamar muita atenção.

No curso de Projeto Fotográfico, abordamos bem essa questão do uso do smartphone. Principalmente como recurso para incrementar conteúdo e opção de material extra para edição e divulgação.

Não vou enveredar pelas questões mais profundas e deontológicas que isso pode acarretar. Pois se for pra problematizar, obviamente vai ter coisa pra discutir. Fica numa próxima.

Bons exemplos de mobilephotography
Caso você não conheça segue aqui alguns fotógrafos que acompanho e que você pode seguir no Instagram.

O Henry Milléo publicou uma série chamada “postal”. Muito singela e com certa dose de saudosismo. Além de ser visualmente bonita dentro do aspecto de um conjunto de fotos.

Um fotógrafo que você pode seguir e que está na minha lista de influencia é David Guttenfelder. Renomado fotógrafo da National Geography que produz reportagens na Coréia do Norte. Contudo, chamo atenção para um trabalho intitulado American, feito totalmente com celular. Gosto porque consigo ver similaridade com o Robert Frank.

O fotógrafo Nilo Biazetto Neto fez uma série muito plástica, bonita e cheia de cor, utilizando seu iPhone. Intitulada “Primárias”, o trabalho ganhou uma exposição e um belissimo livro.

No instagram você também pode acompanhar o que o brother André Feltes faz com o smartphone dele. Uma série pb muito plástica e com boa dose de explorar a cidade e a streetphotography.

– Curtiram as sugestões? Deixe um comentário aqui, lá no insta ou facebook. Caso tenham alguma sugestão de fotógrafo pra seguir, mande aí.

Obrigado! Fiquem bem e até o próximo post


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