Projeto fotográfico – Vale a pena ter um?

A fotógrafa Dani Leela lançou o livro “Mahadevi – a árvore da vida”. Trabalho de corpo e alma, de olhar sensível acerca da beleza do feminino. Um projeto forte, pessoal, com poética visual e de uma busca sublime pelo autoconhecimento.

Confesso que fiquei realmente fisgado e muito feliz quando ela apresentou esse trabalho em sala de aula no curso “Projeto Fotográfico – da idealização à materialização”. Até brinquei que ela vinha escondendo o melhor para o final, num arremate da apresentação. De imediato sabia que ali tinha um projeto. Fotos de qualidade, cuidado com a edição, contextualização, e o que realmente chamava atenção: sinceridade e verdade. Algo pronto e prester a ganhar asas. Bastaria poucos movimentos.

Dani reforça em sua fotografia, o poder do feminino, o místíco, a pessoalidade da sua caminhada de ser portadora da Síndrome de Mayer – Rokitansky – Kuster – Hauser, que afeta todo o sistema reprodutor e se caracteriza principalmente pela ausência uterina. Traduz tudo em ponderações sobre o significado de ser mulher. Traz luz de cura, uma luz de revelação, uma luz feminina. Uma luz serena que brilha na suas imagens e no trabalho Mahadevi.

A proposta temática, obviamente é abordada por muitas fotógrafas. Contudo, a força desse projeto consiste na jornada pessoal da fotógrafa, da verdade estabelecida entre ela e a fotografia, e o que foi transposto para ser visto, que ela nos compartilha de forma sutil, bonita. Essa essência e conceito arrematou o trabalho. Sua contextualização trouxe a força tocante necessária. Afinal, o assunto se universaliza, visto que todos temos uma força feminina, uma conexão materna, traumas e superações que precisamos romper nessa caminhada chamada vida.

Retomando a questão do projeto em si, quero salientar a importância desse processo criativo. Ou seja, pensar, fotografar, debatar e por fim materializar e tornar público . Dani tinha uma fotografia real ali. Acreditou, traçou objetivos, superou desafios e somou mais essa etapa em sua jornada profissional. Uma experiência que fica e vale a pena.

Projeto fotográfico – Vale a pena ter um?
Quando o assunto é projeto fotográfico sobram dúvidas para quem está iniciando na Fotografia. Seja por não ter pensado ainda sobre ou por achar que não tem material ou experiência para dar andamento a uma pauta ou ensaio mais abrangente.

Pois bem, a questão nem é tão complicada assim – pelo menos na abordagem que proponho. Costumo dizer que um projeto pode surgir em qualquer fase e ser desenvolvido a partir de temas de referência, corriqueiros e até mesmo do universo pessoal. Basicamente depende mais de um posicionamento, movimento e ação, do que ter algo pronto a produzir.

Além de tudo que envolve um projeto fotográfico chamo atenção para a todalidade do processo. Minha proposta e metodologia parte de um escopo, de uma estrutura de trabalho. Um misto de ferramentas, objetivos, disciplina, alinhados às minhas experiências (erros e acertos) e, obviamente, de tudo que a gente vai absorvendo ao longo do caminho.

De forma resumida trato a questão assim. Fundamentei o assunto em quatro etapas.
1 – Idealização
2 – Desenvolvimento
3 – Materialização
4 – Publicização.

Propostas que coloquei em prática nos meus trabalhos e que abordo nas tutorias e workshops. Cada ponto e fase com sua particulirade e processo seja para uma abordagem de curto, médio ou longo prazo.

Dentro desse escopo, reforço sobre a “materialização”. Soa meio místico ou meio tipo autoajuda motivacional – e até acho que é tudo isso e um pouco mais –; entretanto, no fundo é sobre a importância de tornar isso físico, real, palpável e para consumo. Um trabalho fotográfico tem um processo, um caminho natural. Surge e vai crescendo até culminar no sua missão, no produto final. Torna-se real numa exposição, numa reportagem, num livro, ou em abordagens correlatas como uma palestra, projeções, entre outras iniciativas. Ou numa anedota local aqui: “foto no HD (becapê) ninguém vê”.

Quero dizer que é importante saber pensar esse processo e delinear desde o planejamento de um escopo de projeto, ações e metas para cumprir. Visando por fim a materialização e a divulgação do trablaho. [Simm, estamos falando de fotografia e não de um projeto industrial].

A glória para um fotógrafo ver o seu material reconhecido. E isto fundamenta-se quando ele é publicado numa reportagem, seja em revista ou num livro. Quando é reconhecido por um público ao fazer parte de uma mostra individual ou coletiva. Enfim, ver aquilo que você tirou do plano das ideias, que você rabiscou, rascunhou num papel, ganhar asas e ir mais adiante do que seu próprio círculo. Como a Dani Leela fez com o seu talento. Só precisa materializar.

E já estava esquecendo! O livro foi lançado pela Kotter Editorial e pode ser adiquiro no site.

 

Fiquem bem e até o próximo!


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