Expor ou publicar?

Apesar da correria e rotinas, tento manter o hábito de leitura e pesquisa dos assuntos ligados à fotografia. Na verdade, não tanto quanto gostaria, mas vale ler ao menos um artigo por dia. Recentemente me deparei com um interessante. Indiretamente abordava a questão entre expor e publicar. Ou melhor, pensar numa exposição fotográfica ou investir na publicação de um livro? Qual a boa escolha para nós fotógrafos? Quais os pontos positivos e negativos de cada um. Vale a pena?

A referência acerca do assunto é do artigo “Expor e publicar. A fotografia na parede e a fotografia no livro”, do site Fotografia e Teoria. A abordagem está no formato crítica relacionada a um trabalho específico, porém excelente e com pontuações pertinentes para a gente pensar. Muito conveniente ao momento que passo e que vale para fotógrafos. Fica aqui a recomentadação de leitura.

Ando arrumando para a cabeça com duas iniciativas em andamento. Uma trata da públicação de alguns trabalhos no formato fotolivro. Não o livro no seu sentido pragmático, com tiragem oficial e tudo mais. Mas sim, um formato mais livre, confeccionados artesanalmente e com pequenas tiragens.

Bem, a outra proposta é que pretendo manter a intenção de fazer no mínimo duas exposições fotográficas neste ano. Já correlacionando a questão, o mérito aqui não é o teor, nem a relevância do material (até porque isso pode ser extremamente relativo), mas a ação e materialização em si. Materializar, no sentido do conceito que aplico. Fazer acontecer seu trabalho.

Quero pegar o gancho e abordagem feita no Fotografia e Teoria pra costurar o assunto sobre expor e publicar no sentido mais da funcionalidade, intencionalidade e validade.

Exposição – prós e contras
A exposição tem lá suas características. Entre elas, uma que o artigo do Fotografia e teoria traz e é muito para a correlação das duas iniciativas. “O formato expositivo, no entanto, embora elegante e funcional, reproduz o modelo museológico de exposição. As fotografias encontram-se organizadas de forma sequencial na altura do olho do expectador, que pode percorrer as imagens sem nenhum esforço”.

Um aspecto conceitual interessante e que pode ajudar muito a pensar o modelo, o formato e até a intecionalidade. Entretanto, além desse aspecto conceitual de uma mostra, digamos, mais no sentido tradicional, há um breve esperança para sair do trivial – algo entre o formal e instalações.

Esquadrinho aqui a questão mais funcional, bem no sentido do fazer. Quase a busca por uma resposta pessoal de “vale fazer?”. Convenhamos, uma exposição, independente do tamanho e do teor do material apresentado, dá trabalho, tem custos e ônus. Além de todo o empenho da montagem, o trabalho com a divulgação prévia, release, lista de convidados (aberta ou fechada) e tudo mais. Para depois, de repente, você ter um punhado de gente lá para comer os quitutes e beber vinho. Isso, conforme o olhar e parametro de cada um, pode ser visto como algo até negativo.

Entretanto, apesar desse comentário um tanto que sarcástico, no postura positiva, acredito que o esforço é recompensado pelo simples fato de uma exposição servir para a divulgação da obra em si – e concomitantemente do autor. Além desse aspecto primário, a mostra é uma boa oportunidade de ampliar os contatos e redes de network nesse universo. Aliás, eis aqui um ponto bem pertinente.

A exposição em si, serve como uma boa e elegante forma de se apresentar. Torna-se um trabalho conhecido – assim como seu criador. Uma boa forma de dar entrada em um segmento (no nosso caso o fotográfico ou o mercado disso ou aquilo. Isso vai depender do projeto e trabalho exposto).

Uma exposição deve ser um encontro prazeroso e não uma reunião de negócios. E para que todo seu esforço não vire somente uma reunião de “coleguinhas” e “frequentadores de vernissage”, vale uma atenção à organização e seleção. Pode parecer meio chato isso, mas é verdade. Vale atentar para esse aspecto da coisa em si.

Alguns anos atrás na montagem da mostra Curitiba Protesta, no Memoria de Curitiba. Lindeza!!!!

Caso suas pretensões sejam profissionais [e particularmente acredito que seja], ter somente pessoas do círculo (ou se o convite é aberto ao público geral), ou apenas para “lotar”, pontua negativamente. Visto que todo o esforço foi feito, vale pensar e ampliar para toda uma gama do público-alvo. Ou seja, convidar os fotógrafos, mas também editores, publisher, galeristas, colecionadores e toda gente boa para um network construtivo. Isso faz parte e faz bem. Pelo menos esse é um aspecto interessante e que vale ser explorado. No mais, é um esforço para um alcançar um nível de profissionalismo e de organização que vai só evoluir e te ajudar na caminhada profissional.

A foto no papel
Uma das grandes metas (e até obssessões) da minha caminhada fotográfica era ver o material publicado. De repente, por atuar no fotojornalismo de jornal e variantes. Perseguia isso como vira-lata atrás de roda de carro. Quando conseguia, via como um grande trófeu. E ainda considero [risos].

Pois bem, uma publicação não é muito diferente de uma exposição. Segue a mesma lógica e até a forma conceitual da narrativa. Certamente vai dar um trabalhão, o custo é elevado, pois há toda uma série de fatores que são inerentes: como a edição e criação, design, diagramação, distribuição… enfim, uma caralhada de coisas.

Tudo isso é vero, mas o legal é que a realidade em publicação mudou bastante. De uma tida como inatingível, destinada a poucos talentosos, a coisa tornou-se acessível. O mercado gráfico ganhou novas tecnologias, metodologias e hoje já não é um bicho de sete cabeças editar e publicar um fotolivro. Pelo menos não é mais fora da realidade. Abundam editoras (grandes e pequenas), diversos meios e materiais, assim como as formas e maneiras para financiar também foram ampliadas.

De forma resumida, tanto o mercado quanto a forma estão mais atrativas. Tanto na idealização (projetos e formas de como pagar), na elaboração e confeção (design/criação/formatos). Hoje é possível pensar um livro que na hora de criar o projeto você faça com parceiros designers e diagramdores, no melhor estilo colaborativo. De repente tente financiar de forma criativa por meio alternativo como um “vaquinha” ou crowdfunding. E por fim, imprima com custos baixos, escolhendo materiais acessíveis e apela para a concorrência de gráficas. Olha que é possível imprimr até na China.

Em exemplos locais aqui, lembro por exemplo o trabalho “San Lázaro Babalú Ayê”, do fotógrafo Leandro Taques, viabilizado por mei de crowdfunding. Em outra forma, “Rekòmanse”, do Brunno Covello, que foi feito com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (Curitiba). Ou até mesmo quem saia da faculdade com um projeto de fotolivro, como foi o caso do Eduardo Vernizi que produziu o o livro “Perspectivas: Curitiba Desigual”. Livro idealizado como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. Ou no meu caso que já fiz livro parceria instituição/autor e agora com os livros de baixa tiragem e confecção própria. É uma alternativa. Em um próximo post comento melhor sobre esse projeto.

Iniciativa Raw Photo Books. Livros feitos a mão e com tiragem numerada.

Então, vale dizer que um livro não é uma coisa fora da realidade. E considero fundamental para quem já trilha esse caminho da fotografia.

Considerações
Tanto a exposição quanto a publicação de um livro são formatos válidos. Ambos irão dar trabalho e ter lá suas recompesas. Afinal, todo investimento pode resultar em vantagens objetivas e subjetivas, por isso vale considerar sua intencioanalidade. Ademais, considero válido, essencial e recomendável a qualquer fotógrafo que queira seguir profissionalmente – independente da área de atuação.

Além disso, a vasta gama de possibilidades para criação de uma exposição ou até a publicação de um fotolivro, são uma realidade. Pode crer, não há segmento nesse mundo que não pense em formas criativas, bonitas e baratas de fazer a coisa acontecer.

Uma exposição pode se tornar uma realidade com uma boa consultoria de profissionais, sejam eles artistas, designers, curadores e toda gama de conhecimento que você possa trazer para a elaboração do formato, a montagem e escolha de materiais. O formato não precisa seguir a versão tradicional – foto exposta na parede, moldura, papel caro e tudo mais. Pensar maneiras novas e até mesmo conceituais de apresentar o trabalho é uma boa proposta. Há possibilidade de projeções, foto lambe, gravuras, colagens, impressão digital, entre outras.

Em janeiro (2020) idealizei a mostra “Iluminados – a beleza do cotidiano” com trabalho streephoto. Utilizei material alternativo na impressão – no caso tecido. Solução de baixo custo sem perder a qualidade e a criativida. Acredito que funcionou bem.


Em relação à publicação de um livro, coisa toda não está mais engessada. Você pode ter a iniciativa. Há maneiras e formas de conseguir.

Caso você tenha lido até aqui, deve estar se perguntado: OK, mas, qual deles é uma boa opção. Caso você não tenha pensado por si, vou dizer que não tenho a pretensão de responder tudo – nem tem espaço aqui para isso. Mas, vale dizer que excluíndo o fato dos porquês, em especial a questão de “quem está interessando no seu trabalho”, a opção válida é aquela que você acha a melhor (ou é a melhor) para ir além. Iste é, qual deles é o meio certo para você comunicar seu trabalho. De repente (caso você tenha recursos para tal) pode ser os dois. 

Você pode fazer uma exposição? Claro, deve. Um livro? Sim, obviamente. Seja qual for o que escolheu, atenha-se a fazer bem-feito, com carinho e comprometimento. Há muito trabalho pela frente e com o planejamento adequado, pode vir a dar certo. Tente!


Gostaria de saber sua opinião.
Atualmente vale a pena montar um exposição fotográfica? E publicar um livro? É essencial ou apenas capricho? Diz aí.


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Fiquem bem e até o próximo!


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